As coisas como elas são - Impressões #1

Livro escolhido para leitura compartilhada do Clube Mãe Literatura.

3,5 Estrelas

Pois é, ontem concluímos a leitura compartilhada do Clube MãeLiteratura com esse livro, o primeiro do gênero dentro das minhas leituras. Participar de clubes de leituras, onde a gente não escolhe os livros, muitas vezes nos tiram de nossa zona de conforto. Por que não dizer, todas as vezes nos tira mesmo do conforto de escolher o que a gente mais gosta de ler. Não é fácil, mas também nos dá oportunidade de ler sobre temas e conversar sobre eles com pessoas que tem várias opiniões diferentes. Que bom quando a gente consegue encontrar uma turma que mesmo pensando diferente se respeita demais, por isso gosto tanto da Claudia, que é a nossa anfitriã nessas leituras e é uma pessoa muito agradável e que sabe manter o clima em paz para todos, pois o que importa mesmo é poder compartilhar as ideias e ler aquilo que nos faz refletir sobre temas atuais.

A história é sobre uma família peculiar, o pai (Penn), um escritor que ainda não lançou seu primeiro livro, que se apaixona por uma estudante de medicina num dos períodos mais improváveis de sua vida, a residência médica, de nome Rosie. Ela não quer compromisso, diz que não pode namorar ninguém porque não dispõe de tempo por causa dos inúmeros e cansativos plantões. Mas, ele já está decidido: essa vai ser a sua mulher! Fica, muitas vezes, na sala de espera escrevendo seus textos e aguardando que ela termine o plantão para simplesmente, contar suas histórias e adormecer ao seu lado.

Quando se casam, o inusitado acontece, um filho atrás do outro, já são 4 meninos, ele cuida da rotina doméstica, ela sai para trabalhar, mas eles ainda querem tentar sua menina e tentam mais uma vez: quem surge? Claude, mais um menino, que à medida que cresce vai demonstrando que nem sempre as coisas ocorrem da forma com que as pessoas planejam, os filhos sabem como dar esse susto nos seus pais, não é verdade? (rsrsrs).

Enfim, Claude não está tão certo de que quer ser um menino e logo nos primeiro momentos de independência propõe um desafio para todos. Mas, como lidar com isso? Ele é apenas uma criança... Como pode saber o que ele é, e quais as implicações em decidir o que ainda não entende? O medo é uma constante na vida desses pais e no resto da família, incluindo os irmãos mais velhos, que tentam de toda maneira proteger o Claude de todas as possíveis ameaças.

Gostei de alguns pontos do livro, mas eu vi coisas que não ficaram muito bem amarradas nessa trama. Claro que a gente sabe que a história foi idealizada para tentar fazer os leitores sentirem de alguma forma as dificuldades de se deparar com uma criança que não se sente muito confortável com o corpo(feminino/masculino) que é seu.

Eu achei, em princípio, que os pais não tiveram muito cuidado na questão de encaminhar o Claude para uma avaliação psicológica e até um acompanhamento mais especializado, tudo foi resolvido dentro da história com a orientação de um assistente social, chamado Dr. Tongo, uma criatura muito engraçada e meio caricato que por muitas vezes mais comemorava o acontecido do que se preocupava com as consequências. Algumas vezes ele até que falou muita coisa pertinente, mas eu acho que na maioria do tempo ele ficou muito fora do contexto normal.

Essa é apenas uma pequena parte da questão abordada no livro, acho que o leitor vai ter que ler até o fim para fechar uma conclusão sobre o que achou do enredo, que vale a pena ser lido e refletido.

O Claude é uma criança adorável, muito inteligente e que acho que vai cativar o coração de muita gente.

Eu agradeço a oportunidade de ler sobre essa história e poder refletir junto com todas as participantes do Clube as nossas impressões, deixando claro o meu posicionamento de que a vida não é um conto de fadas e que muitas vezes, a gente sai de uma história comovente como se o mundo tivesse que ser aquilo ali, mas a realidade nos acorda e faz perceber que é preciso lutar pela coerência, sem abandonar o respeito pelas diferenças que existem na sociedade. Todos merecemos ser vistos com dignidade, com respeito e com amor. É preciso lutar pela paz, mas sem querer impor ao outro a visão que nós temos do mundo baseado apenas numa história fofa.

Beijos,

Drica Moreira.

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