• Drica Moreira

Meu Primeiro Conto - A ESCOLHA


“Não vale dizer que não tem opinião!”

Falou a menina de olhos muito azuis que parecia irritada com alguma coisa que sua amiga havia dito.

“Pedi sua opinião, não é justo você não me diga o que pensa ser melhor para mim.”

Mas, Linda, eu realmente não sei qual dessas é a mais bonita. Para mim, as duas são muito bonitas e eu ficaria com qualquer uma.”

Linda fechou a cara e não quis mais conversa. As duas caminhavam calmamente pela calçadinha de tijolos, observando o movimento frenético das outras crianças que brincavam no parquinho bem à frente. Elas estavam ali, monitoradas pela tia, que se dispusera a levá-las para ver a vitrine de uma grande loja de brinquedos que ficava próxima ao parquinho. Linda tinha guardado alguns trocados por uns meses, moedas que a mãe e o pai lhes dera, troco de pequenas compras. Agora, já tinha o suficiente para fazer uma boa compra, mas não queria decidir sozinha, levou Margot para ajudar na escolha, mas, que chatice! Sua amiga se recusava a dar sua opinião. E agora? Como saberia qual a escolha certa? Será que teria de falar com outra pessoa? Ou escolher sozinha seu prêmio depois de tantas economias feitas.

Margot deveria saber o quanto foi difícil não comprar sorvetes ou balas durante o tempo de economia. Ela pensava todos os dias o quanto seria formidável alcançar o seu objetivo. Os adultos, se soubessem, na certa diriam que era uma escolha boba, coisa de criança. O que tem demais escolher um brinquedo? Isso iria mudar o curso do mundo? Com certeza não, mas para o “mundo de Linda” aquilo era uma conquista muito importante. Ia demonstrar a ela e a outras pessoas que é possível sim se empenhar em pequenas causas e chegar à vitória! Seguramente, essa seria a primeira de várias pequenas vitórias. Saber escolher é uma coisa muito importante, e muito difícil! Por isso, ela precisava de uma consultoria confiável.

Margot, não entendia a irritação de Linda. Não entendia porque ela deveria dar uma opinião a respeito de uma coisa que nem seria dela. Na verdade, ela não sabe aonde Linda queria chegar com aquilo. Tia Maire poderia ajudá-la melhor do que ela. Mas, Linda, não se conformava, queria que Margot opinasse.

A compra ficara entre dois artigos igualmente importantes: O primeiro artigo, uma boneca de louça de cabelos loiros, trançados, olhos da cor do céu azul daquela manhã ensolarada, traços delicados, boca bem torneada, bochechas rosadas, de pequenas orelhas e sobrancelhas harmônicas. Vestia um magnífico vestido bordô, cheio de pequenos babados que desciam até um pouco abaixo da linha dos joelhos da bonequinha. Sapatinhos escuros, negros, de salto modesto. Pareciam sapatos próprios para sapateado e eram brilhantes. Não sei bem se o brilho vinha do próprio artigo, ou do fascínio que produziam pela delicadeza de seu acabamento.

O segundo artigo, não menos magnífico, era um diário pessoal, não muito grande. Caberia facilmente dentro de uma pequena bolsa, o que facilitaria seu transporte para qualquer lugar que se pudesse imaginar. A capa dura e brilhante, em cores vibrantes, tons de azul, rosa e branco e uma figura de menina. Olhos vivos, castanhos, cílios arqueados e bem visíveis, sobrancelhas grossas e penteadas. Cabelos cor de fogo, de um vermelho estonteantemente magnífico, perfeito. Possuía um minúsculo cadeado dourado, em formato de coração, que o mantinha fechado, a não ser quando sua dona o estivesse usando. Aquilo deveria ser o sinal de que muitas aventuras que não poderiam ser partilhadas com todas as pessoas poderiam ficar seguras, atrás daquele pequeno coração.

Como Linda poderia pedir uma opinião tão importante, sobre dois artigos tão lindos a ela? E se ela desse a opinião e sua amiga se arrependesse depois? Ela mesma não saberia quantas noites passaria em claro, pensando em qual das duas maravilhas gostaria de levar consigo para casa? Escolher para si é tão difícil, imagina escolher para sua melhor amiga!

As duas seguiam caladas, pela calçadinha, rumo à casa de Linda. Tia Maire ia ao lado, mostrando o movimento da rua, apontando a brincadeira de algumas crianças, com seus pets, sem imaginar porque aquelas duas estavam tão silenciosas. Amanhã, ficara de voltar na loja com as duas pequenas e, finalmente, efetuar a compra. Foram apenas fazer uma visita e pesquisar o que viriam buscar no dia seguinte!

E você? O que levaria consigo se fosse aquela garotinha?

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