• Drica Moreira

QUARENTA DIAS


“Quarenta dias no deserto, quarenta anos.” É o que diz (ou escreve) Alice, a narradora de Quarenta dias, romance magistral de Maria Valéria Rezende, ao anotar num caderno escolar pautado, com a imagem da boneca Barbie na capa, seu mergulho gradual em dias de desespero, perdida numa periferia empobrecida que ela não conhece, à procura de um rapaz que ela não sabe ao certo se existe. Alice é uma professora aposentada, que mantinha uma vida pacata em João Pessoa até ser obrigada pela filha a deixar tudo para trás e se mudar a Porto Alegre. Mas uma reviravolta familiar a deixa abandonada à própria sorte, numa cidade que lhe é estranha, e impossibilitada de voltar ao antigo lar. Ao saber que Cícero Araújo, filho de uma conhecida da Paraíba, desapareceu em algum lugar dali, ela se lança numa busca frenética, que a levará às raias da insanidade. “Eu não contava mais horas nem dias”, escreve Alice em Quarenta dias, um relato emocional e profundo. “Guiavam-me o amanhecer e o entardecer, a chuva, o frio, o sol, a fome que se resolvia com qualquer coisa, não mais de dez reais por dia (...) Onde andaria o filho de Socorro?, a que bando estranho se havia juntado, em que praça ficara esquecido?”

Para ser sincera, eu não me lembro de ter ouvido falar em Maria Valéria Rezende antes de me embrenhar novamente nos caminhos da leitura.

Passei anos parada, apenas me preocupando com casa, trabalho, etc... Depois, comecei, despretenciosamente criando um blog e mexendo, aos poucos, com a internet, com redes sociais e esse ano tive o prazer de conhecê-la através do Prêmio Jabuti 2015, "fuçando" sozinha os autores brasileiros premiados e não tão conhecidos, pelo menos para mim.

Por coincidência, essa simpática escritora, mora na cidade que eu moro: João Pessoa. E até criou um grupo que se reúne toda semana para partilhar seus escritos perto de um shopping da cidade. Quem diria! Fiquei super-feliz, até porque tenho me arriscado nesse terreno e criado minhas próprias histórias. Quando a gente começa, parece que adoece de um boa febre e não para mais, tudo o que está desorganizado por dentro, as palavras vão se juntando e formando histórias sem fim!

Por isso, decidi falar sobre ela aqui e divulgar um pouco das suas histórias.


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